Somos Xamago, um projeto musical que desafia géneros, mesclando os sons da alma dos instrumentos acústicos tradicionais portugueses com a energia pulsante de paisagens sonoras eletrónicas. Inspirados em canções de raiz de todo o mundo, o nosso som é uma viagem através das emoções e espíritos da mente, ligando o passado e o futuro da música.
Almas esmifradas, que rebentam e penetram as rochas e entranhas que a Terra pare. Almas esmifradas, que vagueiam nas florestas emocionais. Espalham o crude, negro de fuligem, que cintila nos seres nativos e importados. No passado onde as almas inexistiam, tudo florescia em pleno. Natural e pacificamente. Almas esmifradas que geram o pão, alimentam-se, e em sobrevivência deixam-se morrer na sua essência.
Nada escapa ao purgatório. Esse onde as almas esmifradas nutrem o Me(i)do partilhado, ora do bem ora do mal. Apenas lá elas se reintegram. Enquanto isso, ainda a procissão não retornou ao adro.
O cântaro é um instrumento milenar que sempre matou a fome e a sede de muitos povos ao longo de séculos. Nos dias que correm, a sede e a fome emergem nas guerras onde os cântaros não chegam; os cântaros que por lá andam não se erguem nem são vertidos, estão apenas cheios de ecos do vazio, como se pairassem no Espaço repletos de vácuo, na sua plenitude. Enquanto isto, reservam-se vasilhas em outros lugares do Mundo, acoguladas. A ênfase está e tem de estar no cântaro.
Elvira é um tema que nasce do estímulo pelos ecos visuais da mulher minhota nas rodas dos viras dançantes por entre eiras e terreiros, ao som dos nativos cavaquinhos e violas Braguesa. O círculo predomina visual, quer nas saias rodadas quer no desenho imaginário dos braços elevados ao céu, sendo transportado para o padrão repetitivo do tema em diferentes contextos.
Este tema foi a concurso no 1º Concurso de Música Tradicional Contemporânea, promovido pelo Festival Tradidanças 2025, tendo arrecadado o 1º lugar.
Numa augusta cidade de muitas veredas, estas atalham-se na imaginação do colectivo. A Viola Braguesa desponta no ambiente ordinariamente-singular cosmopolita, guiando-nos numa introspecção onde quer o ser-solitário quer o ser-social coexistem no quotidiano comum, dando-lhe significado.
Esta música foi composta no âmbito do projecto Trajetos Comunicantes da Braga 25 - Capital Portuguesa da Cultura 2025.
Cavaquinhazada é um tema onde o cavaquinho português é emancipado do seu meio tradicional para se encontrar a ele próprio em diálogos com sonoridades mais marginais.